Coceira excessiva nos olhos pode causar ceratocone; conheça a doença

Você sabia que coçar os olhos com frequência excessiva pode acarretar graves problemas oftalmológicos? É o caso do ceratocone, uma doença caracterizada pelo desvio da curvatura da córnea. Em casos graves essa deformação só pode ser resolvida com transplante. 


O hábito de esfregar os olhos está ligado, muitas vezes, a alergias, o que faz com que os alérgicos tenham que ter o cuidado redobrado com essa condição. Porém, além do ato de coçar os olhos, outra causa do ceratocone é genética e trata-se de uma doença mais frequente em crianças e adolescentes. Por isso, é importante comunicar ao oftalmologista se tiver casos de ceratocone na família. 


"O ceratocone é uma doença não inflamatória que reduz a espessura da parte central da córnea, que passa a ter uma saliência semelhante ao formato de um cone. Essa alteração na curvatura da córnea pode comprometer a visão, impedindo a projeção de imagens nítidas na retina”, explica o oftalmologista Bruno Diniz, diretor clínico da Vistta Oftalmologia em Goiânia. 


"Com isso, a visão fica borrada e distorcida. Outro efeito do ceratocone é o desenvolvimento de graus elevados de astigmatismo e miopia”, completa o doutor. Também são sintomas dessa enfermidade a sensibilidade à luz (fotofobia), visão dupla e a visão de halos ao redor de fontes de luz.


O diagnóstico da doença só pode ser feito por um oftalmologista. Dentre os exames que permitem observar a alteração estão a lâmpada de fenda, a topografia da córnea e a tomografia. "Quanto antes for realizado o diagnóstico, melhor será a resposta ao tratamento”, ressalta Bruno Diniz.


Como tratar a ceratocone


Quando não há deformação grave na córnea, o ceratocone é tratado com o uso de óculos. Porém, caso a doença evolua, os óculos podem ser substituídos por lentes de contato. Elas ajudam a nivelar a superfície da córnea.


Outro tratamento possível é o chamado “crosslinkng”. Nessa intervenção, a superfície da córnea é raspada e, em seguida, é aplicado um colírio à base de vitamina B2. Depois, é aplicado um feixe de luz ultravioleta. O objetivo é tornar a córnea mais rígida e impedir a ceratocone de progredir.


Há ainda o implante de anel intracorneano, no qual cava-se um túnel no meio da córnea e é aplicada uma prótese. Feita de acrílico, ela irá regular a curvatura da córnea. Como recurso para situações mais graves é indicado o transplante de córnea.


Bruno Diniz é diretor clínico da Vistta Oftalmologia, especialista em retina, vítreo e catarata. É Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.

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