No ‘Maio Amarelo’, oftalmologista alerta para lesões nos olhos em acidentes de trânsito

O mês de maio é marcado pelo movimento “Maio Amarelo”, que chama atenção da sociedade para o alto índice de mortos e feridos no trânsito. O oftalmologista goiano e diretor da clínica Vistta, Bruno Diniz, aproveita a data para alertar sobre lesões nos olhos causadas por acidentes automobilísticos.


Apesar de estar localizado em uma cavidade óssea na face, os olhos têm sua parte frontal muito exposta, de forma que uma pancada pode levar a problemas sérios na visão. “Os olhos são órgãos muito sensíveis e nem sempre os sintomas indicativos de lesão acontecem logo após o acidente. Por isso, mesmo em casos de acidentes leves é preciso buscar a avaliação de um oftalmologista”, recomenda Diniz.


A contusão é uma agressão direta na órbita ou globo ocular e, ainda que não haja ferimento visível, pode provocar muita dor e produzir edema, que é o inchaço provocado pelo acúmulo anormal de líquido. A uveíte, por exemplo, é uma inflamação interna do globo ocular e pode ser tratada com anti-inflamatórios.


Quando uma pessoa sofre uma lesão nos olhos em um acidente esse trauma ocular pode alterar a relação entre os fluidos produzidos pelos olhos. O aumento na produção e consequente dificuldade em escoar esses fluidos provoca o aumento da pressão intraocular, situação propensa ao desenvolvimento do glaucoma.


São chamados de traumas oculares não perfurantes aqueles em que ocorrem contusões. Mesmo não provocando corte no olho, pode gerar hemorragia, deslocamento de retina e catarata.


Outro sintoma frequente em acidentes de trânsito é o hifema. Trata-se de uma hemorragia que ocorre dentro da câmara anterior dos olhos é uma lesão grave que pode até levar à perda da visão. Um hifema de menor intensidade pode apenas apresentar leve embaçamento visual, desconforto e sensibilidade à luz. Nesses casos, geralmente não há necessidade de tratamento: o sangue é absorvido naturalmente pelo organismo.


Já nos casos mais graves o acúmulo de sangue pode bloquear a pupila e íris, o que afeta a visão. Nessas situações são necessárias intervenções cirúrgicas com o objetivo de remover coágulos e prevenir outras complicações. Sem o tratamento correto, o hifema pode ocasionar aumento da pressão ocular, inflamação ocular, podendo evoluir para catarata e até cegueira.


Bruno Diniz é diretor clínico da Vistta Oftalmologia, especialista em retina, vítreo e catarata. É Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.

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