Terapia genética pode curar degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

O ano de 2019 começa com boas notícias para a oftalmologia: estudos que pretendem barrar uma das principais causas da perda de visão em pessoas acima de 50 anos continuam avançando. Já falei por aqui sobre o tratamento com células-tronco e, nesta semana, cientistas britânicos divulgaram novidades em um tratamento genético para combater a degeneração macular relacionada à idade (DMRI).


A britânica Janet Osborne, de 80 anos, foi a primeira pessoa no mundo a passar por uma cirurgia na qual foi injetado um gene sintético na mácula, numa tentativa de impedir o avanço da DMRI seca. Como é comum às pessoas com a doença, Janet tem deteriorada a visão central do olho esquerdo, dificultando tarefas comuns do dia a dia. Segundo relata, tem dificuldades, inclusive, para reconhecer rostos.


O procedimento foi realizado no John Radcliffe Hospital, no Reino Unido, pelo oftalmologista e professor da Universidade de Oxford, Robert MacLaren. O tratamento ainda está em fase inicial e irá atender outros nove pacientes. O estudo é feito pela Gyroscope Therapeutics, com financiamento do fundo de investimentos Sycona.


Como funciona a terapia genética para DMRI


No procedimento, feito apenas com anestesia local, uma injeção foi aplicada no olho de Janet. Introduziu-se uma solução que continha um vírus com uma sequência de DNA modificada. Este gene infectou as células de epitélio pigmentar da retina (EPR) e, espera-se que tenha corrigido a causa genética da DMRI. 


O fator chave para surgimento da DMRI é o desequilíbrio do sistema de proteínas do sistema imunológico que luta contra as bactérias. Quando ocorre a degeneração macular, essas proteínas estão super ativadas e atacam as células da retina, de uma forma similar à que atacariam bactérias.


Conforme MacLaren, a expectativa é que a célula com gene modificado passe a produzir uma proteína que eles acreditam ser capaz de corrigir o desequilíbrio da inflamação nesse sistema. Dessa forma, busca-se impedir que mais células morram, mantendo o mácula saudável.


Ainda é cedo para avaliar se a cirurgia foi bem-sucedida. Em caso positivo, os cientistas esperam que a terapia necessite ser realizada apenas uma vez em cada paciente.


A diferença do tratamento genético para o com células-tronco é que o primeiro visa impedir o avanço da doença tratando a causa genética. Já o tratamento com células-tronco visa produzir novas camadas de epitélio pigmentar da retina (EPR), o tecido que suporta as células sensíveis à luz na retina.


Bruno Diniz é diretor clínico da Vistta Oftalmologia, especialista em retina, vítreo, catarata e é Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.


Veja também:



 


Fontes:


Oxford University Hospitals - World's first gene therapy operatio for common cause of sight loss


G1 - Cirurgia ocular: a terapia genética que pode barrar 'causa mais comum da cegueira'


 

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