Entenda como é o tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

Assim como a comunidade médica, percebo nos meus atendimentos como oftalmologista em Goiânia que a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma das doenças de retina mais comuns às pessoas acima dos 60 anos. Esta doença degenerativa afeta a mácula, que é a parte da retina responsável pela nossa visão de nitidez, trazendo dificuldades para atividades rotineiras, como ler e dirigir. 


Como já comentei aqui, vêm avançando os estudos para o uso de células-tronco no tratamento da DMRI. Entretanto, ainda são necessários testes e não é possível aplicar este tipo de tratamento nos pacientes atualmente.


O tratamento da DMRI se diferencia com base no tipo da degeneração. Para pacientes com a DMRI seca, infelizmente ainda não há tratamentos clínicos. Indica-se, como forma de prevenção, a suplementação de vitaminas e vegetais que contribuem para a saúde dos olhos, além da interrupção do tabagismo.


 


Tratamento da DMRI úmida


Já no caso da degeneração macular relacionada à idade do tipo úmida, o tratamento mais indicado é o que utiliza injeção intravítrea ou injeção intraocular. Apesar de assustar os pacientes em um primeiro momento, a injeção é um procedimento muito simples e seguro, causando nenhum ou muito pouco desconforto. Para sua realização, são feitas a dilatação da pupila e a anestesia por gotas de colírio.


No procedimento, realizamos a aplicação de uma injeção que libera medicamentos no vítreo. Trata-se da região que preenche o espaço do globo ocular entre cristalino e retina, mantendo posicionada a retina e evitando descolamento.


Os medicamentos ajudam a bloquear o crescimento vascular e evitam a proliferação de neovasos sanguíneos, que causam a perda da visão. Não é necessário sutura, nem uso de tampão. O retorno à rotina habitual já pode ser feito dia seguinte ao procedimento.


Com a injeção intravítrea é possível evitar a progressão da doença ou reputar parcialmente ou totalmente a visão perdida. O nível de êxito depende muito do estágio em que a DMRI foi identificada. Como é uma doença degenerativa, não podemos dizer que o tratamento traz cura, já que ela pode voltar a progredir.


Por isso, é essencial que o paciente tenha acompanhamento rotineiro de um oftalmologista. Após um período, pode ser necessário aplicar uma nova dose do medicamento. 


 


O que é a degenerção macular?


A degeneração macular é uma doença ocular que provoca a perda da visão. Conforme dados do National Eye Institute, trata-se de uma das causas mais comuns da perda de visão em pessoas acima de 50 anos. 


A doença não causa dor e tem na visão turva um de seus principais sintomas. A degeneração macular pode levar à cegueira e traz dificuldades para atividades do dia-a-dia, como dirigir, ler e trabalhar. 


A área afetada é a mácula, a parte mais sensível da retina, localizada no fundo dos nossos olhos. A mácula possui milhões de células sensíveis à luz que nos permitem enxergar detalhes finos.


O diagnóstico é feito por exames como tomografia de coerência óptica (OCT) e anfiografia.


A OCT é um procedimento não invasivo que permite visualizar as anomalias da mácula a partir de uma visualização bidimensional das estruturas oculares. Já a angiografia requer a utilização de um corante na corrente sanguínea que vai mapear os vasos da região afetada.


No caso da degeneração macular “seca” (DMRI seca), ocorre o acúmulo de proteínas e gorduras nas células. Já na forma “úmida”, vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina podendo provocar vazamentos que distorcem a visão. Na DMRI úmida a perda da visão pode ser mais rápida do que na forma seca.


 


Bruno Diniz é oftalmologista em Goiânia, diretor clínico da Vistta Oftalmologia, especialista em retina, vítreo, catarata e é Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.

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