Avançam estudos com célula-tronco para tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

Resultados recém-divulgados lançam nova expectativa em torno do uso de células-tronco para o tratamento de doenças da retina. Pesquisadores de várias partes do mundo apostam neste tipo de terapia para combater a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Aqui no Brasil, por exemplo, integrei equipe da Unifesp que, em parceria com a University of Southern California, avalia como as células-tronco podem reduzir a progressão da perda visual.


No tratamento são utilizadas células-tronco embrionárias ou retiradas do sangue ou pele do próprio paciente. As células são levadas ao laboratório para formarem camadas de epitélio pigmentar da retina (EPR), o tecido que suporta as células sensíveis à luz na retina. O objetivo é que as novas camadas de EPR sejam implantadas na retina do paciente e preservem a visão.


O novo estudo, publicado no último dia 16 de janeiro, mostra resultados animadores: utilizando células-tronco, pesquisadores do National Eye Institute (NEI), nos Estados Unidos, conseguiram evitar a cegueira em modelos animais (ratos e porcos) com a forma “seca” da degeneração macular relacionada à idade.


Estudos semelhantes já tiveram bons resultados com a forma “úmida" da degeneração macular e os avanços das pesquisas para a forma “seca" representam grande esperança de salvar a visão de milhares de pessoas, já que esta é a que atinge a maioria dos pacientes. Com o êxito do teste, agora, os pesquisadores se preparam para realizar o estudo em humanos.


Conforme o NEI, os estudos devem seguir protocolos rígidos que vão ajudar a garantir a segurança da terapia. Uma das preocupações com qualquer terapia à base de células-tronco é o potencial oncológico, ou seja, a habilidade das células se multiplicarem sem controle e formarem tumores. Felizmente, no estudo recém-divulgado, os pesquisadores não identificaram mutações genéticas com crescimento de tumores.


 


O que é a degenerção macular?


A degeneração macular é uma doença ocular que provoca a perda da visão. Conforme dados do National Eye Institute, trata-se de uma das causas mais comuns da perda de visão em pessoas acima de 50 anos. 


A doença não causa dor e tem na visão turva um de seus principais sintomas. Sozinha, a degeneração macular não leva à cegueira, mas traz dificuldades para atividades do dia-a-dia, como dirigir, ler e trabalhar. 


A área afetada é a mácula, a parte mais sensível da retina, localizada no fundo dos nossos olhos. Possui milhões de células sensíveis à luz que nos permitem enxergar detalhes finos.


No caso da degeneração macular “seca” (DMRI seca), ocorre o acúmulo de proteínas e gorduras nas células. Já na forma “úmida”, vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina podendo provocar vazamentos que distorcem a visão. Na DMRI úmida a perda da visão pode ser mais rápida do que na forma seca.


 


Bruno Diniz é diretor clínico da Vistta Oftalmologia, especialista em retina, vítreo, catarata e é Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.

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